Está de pé, num pé só, a calçar as meias.
E de repente está a saltar ao pé-coxinho pelo quarto.
Ou vai na calçada em Loulé, aquela calçada portuguesa linda e escorregadia, e o tornozelo toma uma pequena decisão sem lhe perguntar nada.
Ninguém fala disto ao jantar. Mas no estúdio fala-se disto a toda a hora.
A maioria dos meus clientes tem 50, 60 e 70 anos. Reformados, ativos, no campo de golfe, a caminhar todas as manhãs. Frágeis? Nem perto disso.
E mesmo assim, o equilíbrio costuma ser a primeira coisa a ir embora. Muito antes da força.
Eis o que eu gostava que mais gente soubesse. O equilíbrio é uma competência, não é sorte.
Desvanece quando deixamos de o praticar. E volta quando voltamos a praticar. Em qualquer idade. Ensino Pilates há 14 anos e já o vi voltar mais vezes do que consigo contar.
O problema é que a vida moderna nos tirou a prática sem avisar. Chão plano. Sapatos sensatos. Corrimãos. O carro estacionado mesmo à porta. Os pés e os tornozelos deixaram de receber perguntas difíceis, por isso deixaram de ter respostas prontas.
É aqui que o Reformer é francamente brilhante.
O carrinho move-se debaixo de si. O corpo tem de responder, a cada mudança de mola, a cada posição. Isso é treino de equilíbrio, a acontecer durante a aula inteira, sem pensar nisso uma única vez.
E aqui está a parte que interessa se estiver nervoso. Grande parte acontece deitado.
Isto surpreende as pessoas! Mas o equilíbrio começa num centro forte e em pés que acordam e prestam atenção. Pode construir ambos deitado de costas, com as molas a apoiá-lo, sem medo nenhum de cair.
Esse medo é metade do problema, já agora. Quando começamos a ter medo de vacilar, ficamos rígidos. E rígido é menos estável, não mais. Por isso primeiro tiramos o medo, e o equilíbrio vem atrás.
O que não lhe prometo é que nunca mais vai vacilar. Toda a gente vacila. Eu vacilo!
O objetivo é que, quando acontecer, o corpo o segure. É isso que o equilíbrio realmente é. Não é ficar imóvel como uma estátua. É recuperar.
As meias calçadas de pé, sem saltinhos. O tabuleiro do café pelos degraus do pátio abaixo sem descer de lado. O passeio, a areia, a cadeira de praia, tudo sem drama.
Uma nota honesta. Se teve quedas recentemente, ou se tem um problema de ouvido interno ou uma condição neurológica, fale primeiro com o seu médico. E depois diga-nos quando marcar, porque uma sessão 1:1 é o ponto de partida certo, e o Filipe, da nossa equipa, tem formação em exercício clínico exatamente para este tipo de situação.
Para todos os outros: se já reparou na instabilidade, não espere que piore. Venha praticar.
O Curso de Iniciantes começa a 6 de outubro, quatro terças-feiras às 17:30, só para principiantes, e foi feito exatamente para isto. Ou venha a qualquer aula de todos os níveis, em qualquer manhã.
O seu equilíbrio não desapareceu. Só está sem praticar.
Victoria