Todos os verões tenho a mesma conversa no estúdio.
Alguém me apanha depois da aula, agenda na mão, com um ar ligeiramente preocupado.
Os netos vêm cá. Vamos estar fora três semanas. As visitas não param!
E depois, a verdadeira pergunta. Se faltar umas semanas, volto à estaca zero?
Deixe-me descansá-lo. Porque este verão estou no mesmo barco que você.
Vou dar um retiro na próxima semana. Os meus filhos estão de férias da escola. Algumas das minhas aulas vão faltar no horário, e já pedi desculpa por isso. Tentar estar em dois sítios ao mesmo tempo! Afinal é impossível.
Portanto isto não sou eu a pregar do alto de uma rotina perfeita. É só a resposta honesta.
Não está a começar do zero. Nunca está.
A força que construiu ao longo de meses não desaparece porque se ausentou por um tempo. O músculo é teimoso. Não faz a mala e vai embora só porque você fez.
O que se desvanece não é a força. É o hábito. E esse é o verdadeiro risco do verão. Não são as aulas perdidas. É a decisão silenciosa de que já saiu do ritmo, e por isso mais vale esperar por setembro.
As pessoas que sofrem em setembro nunca são as que faltaram umas semanas em julho. São as que pararam por completo e depois tiveram de se convencer a começar tudo outra vez.
Por isso, não deixe que o hábito seja aquilo que perde.
Quando voltar ao Algarve, volte ao hábito. Trate de marcar a sua aula.
E se está cá de férias, não carregue no pause. Mantenha o hábito. Venha à aula! Temos Reformers, temos Towers, e adorávamos recebê-lo.
É isto. É este o segredo todo.
Até já, assim que conseguir aparecer.
Victoria